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Exemplo de Redações Nota 10 Enem: #10 Modelo escolar brasileiro

O Enem 2017 pode trazer a própria educação como tema em sua redação. Entenda como abordar essa questão de forma crítica e bem estruturada

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma forma de fazer com que os estudantes reflitam sobre temas pertinentes e explorem seus pontos de vista de forma crítica. Por vezes, como já vimos no nosso banco, a própria educação entra em pauta, dando ao aluno a oportunidade de se posicionar sobre algo que o atinge diretamente. A redação do Enem 2017 pode fazer exatamente isso. Saiba como abordar questões como essas de forma bem estruturada e de acordo com o que é esperado pela prova.

A professora e coordenadora de Redação do Curso Poliedro, Gabriela de Araújo Carvalho comenta parágrafo a parágrafo o texto.

Tema da redação:
A necessidade de transformar o modelo escolar brasileiro

Redação Correção comentada
De acordo com as características gerais de países subdesenvolvidos, o Brasil apresenta índices péssimos na educação: em 2013, segundo pesquisas da ONU, menos da metade da população brasileira tinha terminado o Ensino Médio. Esses índices são reflexos, principalmente, do modelo escolar do país que se dá de maneira maçante e desestimula grande parte dos estudantes. Já na introdução, o candidato mostra um olhar crítico para o tema, o que passa credibilidade ao leitor. A tese é bem delimitada, e, ao apresentar duas causas e uma consequência, facilita a orientação que será dada ao desenvolvimento.
Horas sentados em cadeiras desconfortáveis, poucas possibilidades de expor opinião e regras rígidas são alguns dos fatores que determinam a grande evasão estudantil no Brasil. Isto é, o modelo de ensino aqui predominante afeta diretamente o interesse dos alunos: a falta de autonomia torna o processo maçante e repetitivo, desestimulando a permanência no espaço escolar. O modelo é forte responsável, por conseguinte, pela estagnação do país na posição de periferia mundial, já que o distanciamento do ensino formal básico resulta na carência do ensino superior, principal meio formador de profissionais e pesquisadores na atualidade. O parágrafo respeita o posicionamento assumido na tese e o desenvolve por meio de um raciocínio lógico, com exemplos verossímeis para o leitor. O candidato mostra domínio da argumentação, ainda que algumas das ideias pareçam redundantes.
Somando-se às limitações impostas aos alunos, o sistema de ensino brasileiro carece ainda de temas humanísticos, que promovam uma efetiva emancipação do indivíduo e seu reconhecimento enquanto cidadão. Isso porque a grade curricular prevista não determina como obrigatório o ensinamento de tópicos cujo cunho seja a prática social, entre eles os princípios básicos dos Direitos Humanos. Reforça-se, assim, uma lógica distante das experiências de vida contemporâneas aos alunos e também futuras. Neste parágrafo, o candidato abre margem para uma reflexão que foge ao senso comum e reforça a importância de se estudar Direitos Humanos. Para atingir as notas máximas na competência 2, porém, o candidato poderia ter recorrido a elementos externos que evidenciassem repertório sociocultural produtivo.
Caso se vislumbre uma transformação positiva, cabe ao MEC uma revisão da grade curricular ultrapassada, de modo que se passe a contemplar as expectativas dos alunos, além de suas realidades imediatas e futuras. As escolas, enquanto detentoras de alguma autonomia, podem também rever suas metodologias de ensino, investindo na formação de professores e em seu maior preparo para lidar com as demandas atuais dos jovens. Uma inovação tanto de forma quanto de conteúdo, talvez, desperte um interesse até então inexistente por parte de muitos dos estudantes brasileiros.  A proposta está bem articulada ao desenvolvimento. Possui dois agentes e ações concretas, e, ainda que a primeira seja pouco detalhada, a segunda cumpre as expectativas e vem seguida de uma finalidade interessante. Ao longo de todo o texto, o candidato mostra maturidade para discutir o tema, além de boa forma de expressão.


Fonte: noticias.universia.com.br

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