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Brasil pode aprender com o ecossistema europeu de deep techs e por que precisamos agir agora

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Brasil pode aprender com o ecossistema europeu de deep techs e por que precisamos agir agora

*Por Gabriela Aguiar

O Global Summit da Hello Tomorrow reuniu alguns dos principais agentes do ecossistema de inovação para discutir o futuro das deep techs, startups baseadas em pesquisa científica e tecnológica, responsáveis por avanços disruptivos em setores estratégicos como biotecnologia, novos materiais, energia e inteligência artificial. Em um cenário de desafios ambientais, sociais e industriais, essas inovações não são apenas desejáveis, mas essenciais para garantir competitividade e sustentabilidade.

A presença da Plug and Play Brazil no evento reflete nosso posicionamento na vanguarda do que acontece no setor de deep techs. Ao integrar a delegação brasileira, organizada pela Wylinka e Caos Focado com o apoio da CNI, FINEP e Embaixada do Brasil em Paris, pudemos observar o crescente interesse do governo em impulsionar o segmento. No entanto, a experiência na Europa demonstra que é preciso mais.

Temos deep techs fortes e diversas no nosso país mas, para que consigam prosperar, falta ainda um alinhamento estratégico entre setor público, academia e mercado. O continente europeu tem se destacado na construção de políticas públicas voltadas para o segmento, criando um ambiente estruturado para pesquisa, financiamento e escalabilidade. Aproveitamos a oportunidade para visitar a Station F, o maior hub de inovação da Europa, onde a Plug and Play global tem um espaço dedicado ao programa de inovação aberta que fazemos com o BNP Paribas desde 2017.

O local abriga mais de 1.000 startups, 30% delas deep techs, e já impulsionou empresas que captaram mais de €1 bilhão em investimentos. Essa experiência mostrou na prática como os países europeus articulam diferentes atores – governos, fundos de investimento e corporações – para viabilizar o crescimento dessas startups. No Brasil, essa colaboração está em fase inicial, e encontra desafios culturais e históricos a serem vencidos.

A ponte entre pesquisa e mercado precisa ser fortalecida para que deep techs consigam escalar e gerar impacto. A FINEP, a FAPESP e a CNI têm desempenhado papéis importantes no financiamento da inovação, e, durante o Global Summit, a Plug and Play reforçou sua intenção de trazer esses atores para iniciativas concretas. Um exemplo é o nosso programa de aceleração de 2025, que será modelado para aproximar startups a funding público, além do já tradicional investimento privado.

Outro ponto fundamental para o avanço dessas startups no Brasil é a formulação de políticas públicas de incentivo. Como desdobramento do Global Summit, a Plug and Play estará cada vez mais próxima de ações como o protocolo de Deep Techs, liderado pela FINEP, com o objetivo de elaborar uma proposta de política pública para apoio ao desenvolvimento dessas startups e seus ecossistemas, em alinhamento com as missões da Nova Indústria Brasil (NIB).

Deep techs representam uma vantagem competitiva não apenas para grandes empresas, mas também para o desenvolvimento sustentável do país. E o momento tem se mostrado muito favorável para que o setor brasileiro floresça. Nos bastidores, ficou claro que, diante do atual protecionismo norte-americano, a Europa está voltando sua atenção para formar parcerias tecnológicas com países que têm ambição, escala e disposição para experimentar.

O Brasil pode e deve olhar para isso como uma oportunidade estratégica. Temos capital científico, abundância de insumos e enorme potencial de mercado. Para avançarmos, precisamos aprimorar a articulação e visão integrada. Nosso país tem tudo para ser protagonista global neste novo ciclo econômico, desde que aposte em um ecossistema forte, fazendo a articulação coerente do setor privado, capital e as tecnologias brasileiras.

A participação no Global Summit reforça a urgência dessa mobilização. Assim como outros avanços tecnológicos ocorreram em períodos de alta pressão socioambiental, este é um momento crítico para definir o futuro da inovação no Brasil. O país tem potencial para ser um polo global de deep techs, mas precisa agir o quanto antes para estruturar esse ecossistema de forma eficiente e integrada.

*Gabriela Aguiar é líder de Ecossistemas na Plug and Play Brazil, com mais de 10 anos de experiência em gerenciamento de projetos de engajamento, diversidade e estratégia empresarial. Sua atuação é focada na conexão entre startups, empresas e instituições para impulsionar a inovação e gerar impacto econômico e social. Formada em Relações Internacionais pela ESAMC, possui pós-graduação em Gestão de Marketing Empresarial pelo Insper, além das certificações PMP pelo PMI e Ohio University.


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