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Startups brasileiras adotam executivos sob demanda para acelerar crescimento

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Startups brasileiras adotam executivos sob demanda para acelerar crescimento

Quando a startup de combate ao desperdício de alimentos Food To Save precisava estruturar sua área financeira e se preparar para uma rodada de captação, o caminho tradicional, contratar um CFO em tempo integral, parecia distante da realidade. A solução veio de um modelo que começa a ganhar espaço no Brasil: os executivos sob demanda.

Em nove meses de atuação, o executivo não só organizou a área financeira, como ajudou na definição de indicadores, modelagem financeira e revisão de contratos. O trabalho culminou em um aporte de R$ 14 milhões para a empresa.

Casos como esse começam a mostrar o valor de contar com líderes experientes em momentos estratégicos, sem a necessidade de incorporá-los de forma permanente na folha de pagamento. É o que tem motivado executivos como Wilson Lima, de RH, a migrarem do modelo tradicional para o sob demanda.

Dos executivos tradicionais aos executivos sob demanda

Com 25 anos de carreira, Wilson passou por empresas como MetLife, Uninove, Dafiti, Youse, Estadão, Grafeno e Terra Investimentos. Em 2023, decidiu dar uma guinada e atuar de forma fracionada.

“Eu estava cursando um mestrado e disponível no mercado, após a interrupção da operação de uma startup. Queria uma posição que não fosse full time, por conta dos estudos”, lembra. Foi assim que conheceu o modelo on demand, com passagens como a da Grafeno, onde atuou em cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças, remuneração e recrutamento.

A experiência, segundo ele, trouxe ainda mais adaptabilidade. “Lidar com múltiplas realidades me tornou um líder mais flexível. Hoje, ouço com ainda mais atenção e busco contribuir exatamente com o que o negócio espera e precisa”, afirma.

A profissionalização do modelo

Wilson faz parte da base da Chiefs.Group, pioneira em Open Talent Economy no Brasil. A empresa conecta profissionais experientes a organizações por meio de soluções flexíveis como vagas part time, projetos interinos e mentorias.

“Uma das formas de usar um executivo sob demanda é quando há um movimento estratégico que não está funcionando: perda de mercado, desaceleração de crescimento, dificuldades financeiras, inovação travada, clientes insatisfeitos. Tudo isso exige uma liderança sênior — mas nem sempre em tempo integral”, explica Cris Mendes, fundadora e CEO da Chiefs.Group.

Na plataforma, as funções mais procuradas são de RH, Finanças e Growth, principalmente por empresas de tecnologia, serviços financeiros, bens de consumo, varejo e indústria. “A beleza do modelo está na precisão: a empresa paga apenas pela fração do talento que precisa, pelo tempo necessário”, diz Cris.

O modelo ganhou ainda mais força em 2025, quando a Chiefs.Group tornou-se parceira exclusiva da Heidrick & Struggles na América Latina, uma das principais firmas globais de executive search. A meta é escalar a estratégia on demand em toda a região.

Visão de investidor: senioridade como diferencial

Para investidores, a possibilidade de contar com líderes seniores por tempo determinado também já é vista como vantagem competitiva.

“Confesso que no começo achei o conceito disruptivo demais”, lembra Ana Carolina Vianna de Rezende, partner e estrategista de RH para founders da Astella, sobre seu primeiro contato com a ideia em 2018. “Mas, depois de atuar como CHRO as a service e conhecer o trabalho da Chiefs.Group, entendi que se trata de uma aquisição extremamente estratégica de competências.”

Três investidas da Astella já testaram o modelo: uma com CTO sob demanda, para amadurecimento da área de produto, e duas com CFOs, para estruturar a área financeira. Para Ana, em alguns casos, mesclar profissionais juniores em crescimento com líderes seniores temporários acelera resultados de forma mais eficiente. “Pode parecer caro num primeiro momento, mas o retorno em tempo e eficiência geralmente compensa”, avalia.

Tendência ou realidade?

Para Wilson Lima, não há dúvida de que o modelo veio para ficar. “O modelo é sustentável porque entrega valor sob medida. Mais do que entregar um PowerPoint, o chief participa da implementação. As empresas ainda estão aprendendo a lidar com esse tipo de contratação, mas, quando entendem, percebem que é uma via de mão dupla: flexibilidade e resultados”, diz.

Ana Carolina reforça que o modelo tende a se expandir conforme startups busquem mais estrutura sem perder agilidade. “Não vejo motivos para não investir em estratégias criativas de aquisição de experiência e expertise. Somos favoráveis a investir em talentos que entregarão o valor que a startup demanda”, afirma.

Enquanto isso, a Chiefs.Group aposta em curadoria e qualidade para consolidar o modelo no país. “Não é sobre usar e descartar um executivo. É sobre acessar, na medida certa, a experiência que pode mudar o rumo de um negócio”, resume Cris Mendes.

Hoje, a base da Chiefs.Group reúne mais de 3 mil profissionais, sendo 1,3 mil executivos seniores, com passagens por empresas como Google, Disney, Nike e Santander. Do outro lado, dezenas de companhias já aderiram à estratégia, ajudando a pavimentar a consolidação do modelo de talentos sob demanda no Brasil.


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O post Startups brasileiras adotam executivos sob demanda para acelerar crescimento aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Cecília Ferraz



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