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Ecossistema de startups cresce fora dos grandes centros e amplia tração

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Ecossistema de startups cresce fora dos grandes centros e amplia tração

O Mapeamento 2025 do ecossistema brasileiro de startups feito pela ABstartups revela ampliação territorial, maior solidez operacional e dependência contínua de capital local. O estudo indica expansão em regiões antes menos presentes no cenário nacional, ao mesmo tempo, em que mostra gargalos que ainda dificultam escala e internacionalização.

A distribuição geográfica continua concentrada no Sudeste, mas o relatório aponta alta relevante no Nordeste e no Norte. A interiorização e a diversificação avançam em velocidade superior à média histórica, o que sugere mudança consistente no padrão de formação de novos hubs.

Distribuição geográfica

  • sudeste: 60,2%
  • São Paulo: 45%
  • sul: 19,3%
  • nordeste: crescimento de 11% em número de startups
  • norte: avanço de 4,6% para 5,4%
  • Centro-Oeste: 4,6%

O ranking por estados mantém liderança de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas passa a incluir Bahia, Ceará e Amazonas em posições de destaque, reforçando a diversificação territorial.

A composição por verticais mostra nova ordem entre os segmentos mais representativos. O relatório registra avanço de soluções educacionais, de saúde digital e de desenvolvimento de software, além de estabilidade em frentes ligadas a serviços financeiros, agronegócio, varejo e gestão de pessoas.

Verticais

  • Edtech: 10,1%
  • Healthtech e Life Science: 9,4%
  • Desenvolvimento de Software: 8,8%
  • Fintech: 8,7%
  • Agtech: 4,7%
  • Retailtech: 4,3%
  • HRTech: 4,2%

O estudo indica também evolução no estágio dos projetos. A presença de empresas em operação e tração supera metade do total, o que confirma amadurecimento gradual do ecossistema.

Maturidade

  • Ideação: 8,1%
  • Validação: 23,4%
  • Operação: 24,3%
  • Tração: 28,8%
  • Escala: 15,4%

O modelo de negócio mais frequente continua sendo SaaS, seguido por formatos ligados a venda direta, assinatura recorrente, marketplace e cobrança por transação.

Modelos

  • SaaS: 39,2%
  • Venda direta: 15%
  • Assinatura recorrente: 12,3%
  • Marketplace: 9,1%
  • Taxa sobre transação: 8,8%

Os dados sobre receita e tamanho das equipes reforçam a predominância de estruturas enxutas. O faturamento médio anual fica em 736 mil reais. A presença de times pequenos é praticamente a regra.

Distribuição de colaboradores

  • 1 a 5 pessoas: 55,1%
  • 6 a 10: 21,1%
  • 11 a 20: 12%
  • Acima de 100: cerca de 1%

A base de clientes permanece majoritariamente empresarial.

Público-alvo

  • B2B: 53,7%
  • B2B2C: 28,5%
  • B2C: 13,4%
  • B2G: 2,7%
  • B2S: 1,2%

O perfil das pessoas fundadoras mostra concentração geracional e liderança acumulando funções administrativas e estratégicas. O avanço feminino cresce lentamente e a representatividade racial permanece distante da proporção nacional.

Idade e liderança

  • 31 a 50 anos: 69,1%
  • Fundadores que atuam na diretoria: 72%

Gênero

  • Mulheres fundadoras: 19,9%
  • Homens cis: 78,4%

Raça

  • Brancos: 69,8%
  • Pardos: 18,4%
  • Pretos: 5,9%
  • Amarelos: 3,4%
  • Indígenas: 2,2%

A captação continua limitada. Apenas um terço recebeu algum tipo de investimento. A maior parte dos aportes vem de redes locais e fundos internacionais têm participação mínima.

Investimentos

  • Startups que receberam investimento: 34,8%
  • Média captada: R$ 1 milhão
  • Aportes acima de R$ 1 milhão: 26,5%

Principais fontes

  • Anjo: 36,8%
  • Aceleração: 14,1%
  • FFF: 11,5%

Origem dos recursos

  • Mesmo estado: 35,7%
  • Mesma cidade: 32,8%
  • Outros estados: 28,8%
  • Internacionais: 2,7%

A presença de diversidade nas equipes cresce, mas permanece restrita a grupos pequenos.

Diversidade nos times

  • Mulheres: 84,6%
  • Pessoas pretas e pardas: 76,7%
  • Pessoas 50+: 56,4%
  • PCDs: 22,3%
  • LGBTQIAPN+: 38%

A movimentação de contratações e desligamentos confirma ambiente dinâmico, porém vulnerável a mudanças internas e limitação de qualificação técnica.

Contratação e retenção

  • Startups que abriram vagas no último ano: 56,1%
  • Média de novas contratações: 5 pessoas
  • Startups que desligaram até 5 colaboradores: 84,8%

Motivos de desligamento

  • Incompatibilidade cultural: 44,7%
  • Reestruturação: 27,7%
  • Mudanças imprevistas: 17,7%
  • Corte de gastos: 9,7%
  • Lay-off: 0,2%

Barreiras de contratação

  • Falta de candidatos com habilidades exigidas: 40,1%

A relação com governos segue marcada por interesse elevado e participação baixa.

Atuação com o setor público

  • Interesse em vender para o governo: 62,9%
  • Atuação efetiva: 9,6%

Principais obstáculos

  • Burocracia: 45%
  • Insegurança jurídica: 11,3%
  • Insegurança financeira: 10,9%

O cenário final mostra expansão territorial, aumento de maturidade e desafios contínuos em capital, qualificação e interação institucional, fatores que ainda limitam escala e competitividade global.


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O post Ecossistema de startups cresce fora dos grandes centros e amplia tração aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Tiago Souza



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