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IA vira peça-chave para empresas enfrentarem a reforma tributária

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IA vira peça-chave para empresas enfrentarem a reforma tributária

O Brasil chegou a 2026 com grandes mudanças na forma como os impostos são apurados. Além da reorganização dos tributos de consumo, com a criação do IBS e da CBS (tributos que vão substituir ICMS, ISS, PIS e Cofins), as novas regras de Imposto de Renda Pessoa Física, com novas faixas de isenção e desconto, e a apuração em tempo real tornam o trabalho das empresas mais complexo. Isso abre espaço para o avanço das legaltechs, que passam a ocupar um papel ainda mais estratégico ao automatizar a conformidade, reduzir riscos e dar previsibilidade à gestão tributária das empresas.

“Com a Reforma Tributária, é natural que os departamentos administrativo e financeiro encontrem dificuldades operacionais na primeira apuração e prestação de contas. A boa notícia é que já existem tecnologias que podem ajudar na organização e governança dos tributos”, afirma Priscila Spadinger, CEO da Aleve LegalTech Ventures, Venture Builder focada em legaltechs com um portfólio avaliado em R$ 180 milhões.

IA e reforma tributária

Um exemplo de complexidade trazida pela Reforma é o aumento do volume de documentos fiscais, contratos e cadastros de fornecedores, aliado a exigências maiores de rastreabilidade e conformidade. Nesse contexto, a inteligência artificial aplicada à análise documental passa a ganhar relevância como ferramenta de apoio à adaptação das empresas. Soluções baseadas em Intelligent Document Processing (IDP) permitem automatizar a leitura, validação e cruzamento de informações presentes em diferentes tipos de documentos, mesmo quando há variação de formatos, nomenclaturas ou regras.

“A Reforma Tributária transforma a gestão documental em um fator crítico de competitividade. Empresas que continuam dependendo de processos manuais vão sentir mais rapidamente o impacto do aumento de volume e da complexidade das informações”, afirma Willian Valadão, CEO da Dynadok, startup de automação de validação de documentos por inteligência artificial (IA), que faz parte do portfólio da Aleve.

Segundo o especialista, o uso de IA nesse cenário não se limita à eficiência operacional, mas também à governança. “A tecnologia permite criar processos auditáveis, com histórico claro de validações e decisões, algo essencial em um ambiente de fiscalização mais rigoroso. A inteligência artificial passa a atuar como uma camada de segurança, reduzindo erros humanos e liberando as equipes para focar em análises estratégicas”, explica Valadão. Para ele, a adaptação à Reforma Tributária será menos jurídica e mais tecnológica, exigindo das empresas investimentos em automação e controle de dados para atravessar o período de transição com menor risco.

Outro desafio é que, com a reforma, a apuração do imposto tende a exigir mais controle sobre a qualidade e a regularidade dos fornecedores. Se houver problemas de conformidade, a empresa pode deixar de abater valores previstos e acabar recolhendo mais imposto no período. E é aí que entra outra startup do portfólio da Aleve: a NAI S/A, que desenvolve tecnologias para Governança, Risco e Compliance (GRC). O CEO, Norberto Tordin, explica que a IA desenvolvida pela startup “faz o que as pessoas não conseguem: estar onipresente. Ela vigia todos os fornecedores ao mesmo tempo, 24 horas por dia”.

A plataforma da NAI envia aos fornecedores, com base em uma due diligence previamente preenchida por eles, solicitações de anexação de evidências como Certidão Negativa de Débitos, Nota Fiscal e outros documentos. A partir das respostas, realiza uma análise de risco e valida essas evidências com apoio de IA, sinalizando à empresa o que está vencido, inconsistente ou inválido e evitando que ela conte com um crédito que, na prática, não existe.

“A IA não se limita a extrair dados do documento: ela também faz uma análise contextual para garantir que a evidência apresentada tenha validade jurídica. Com base nessa avaliação completa, o sistema ainda gera um ranking preditivo de risco entre fornecedores, indicando quais têm maior probabilidade de causar problemas em contratações futuras”, destaca Norberto.

A CEO da Aleve reforça que a reforma tributária deve ser um ponto de atenção nas empresas, e que este ano pode ser decisivo para muitas delas. “2026 tende a ser um ano de virada. A empresa que tratar a adaptação como projeto estratégico, e não como ajuste pontual, vai atravessar a transição com mais eficiência. As legaltechs conseguem automatizar checagens, padronizar evidências e fortalecer a governança para que a apuração não vire um gargalo”, afirma.


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