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Com alta de quase 50%, M&As alavancam crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina

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Com alta de quase 50%, M&As alavancam crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina

O ecossistema tecnológico de Santa Catarina inicia 2026 em um novo patamar de maturidade financeira, impulsionado por um maior volume de investimentos e aquisições registrados no último ano. De acordo com levantamento realizado pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) junto a empresas do setor, foram registradas 28 fusões e aquisições (M&As) em 2025, 47% a mais do que em 2024, que registrou 19 operações, refletindo uma mudança no mercado, que passou de uma fase de cautela para um ciclo de expansão estratégica e internacionalização.

O desempenho de 2025 foi marcado pela retomada de rodadas significativas de growth equity e por operações de grande porte, com destaque para a aquisição da Conta Azul, de Joinville, pela norueguesa Visma, em um negócio que movimentou R$ 1,7 bilhão. O ano registrou, ainda, aumento no interesse estrangeiro pelas empresas locais, com oito M&As internacionais no último ano ante quatro que haviam sido firmados em 2024. Em seis deles, companhias catarinenses foram adquiridas por marcas do Canadá, Reino Unido, Austrália e Israel, além da Noruega, e em outras duas operações empresas de Santa Catarina protagonizaram a aquisição de negócios do Chile e da Índia.

Para Bruno Rodrigues, diretor do ACATE Invest, a alta nos M&As internacionais é atribuída ao amadurecimento institucional do ecossistema catarinense. Segundo ele, o fortalecimento de cases de grande porte tem sido determinante para ampliar a visibilidade do estado fora do eixo Rio-São Paulo, alcançando também outros países. “Empresas como Starian/Softplan, Asaas, Conta Azul e Paytrack demonstram que é possível criar negócios relevantes longe dos grandes centros. Esses casos elevam o acesso do ecossistema como um todo ao capital internacional”, afirma.

M&As: novo perfil de compradores

O aumento no volume de transações de um ano para outro está associado principalmente à busca por ativos mais maduros e com menor nível de risco, avalia Rodrigues. “O crescimento das operações é justificado pela aquisição de empresas mais maduras, com risco reduzido. Não vemos, porém, uma melhoria generalizada de múltiplos. O mercado continua precificando abaixo”, afirma o executivo. Na prática, isso significa que os investidores seguem seletivos e disciplinados, privilegiando previsibilidade de receita, governança e capacidade de escala.

Para o diretor do ACATE Invest, a próxima onda de compradores deve ter perfil estratégico. “Vejo os consolidadores de SaaS como ativos e bons candidatos a compradores em 2026. Também prevemos que empresas tradicionalmente compradoras de software retomem volume de deals”, destaca Rodrigues.

Outra frente apontada por ele envolve aquisições de empresas menores, com produtos e times especializados em inteligência artificial. A lógica é acelerar a maturidade tecnológica de grandes companhias por meio da incorporação de competências já desenvolvidas.

Soluções integradas

A análise da ACATE também indica uma evolução no perfil das empresas que mais atraem capital, com migração de soluções pontuais para plataformas tecnológicas integradas. O modelo, que centraliza serviços e dados em ecossistemas completos, ganha força em verticais onde o estado detém liderança técnica, como fintechs, healthtechs, energia, indústria e softwares de gestão (ERP). O mercado de capitais acompanha a tendência com aportes mais seletivos, priorizando teses validadas e capacidade de escala nacional, como demonstrou a captação de R$ 6,5 milhões pela Futuriza, em Joinville, e a mais recente aquisição da norueguesa Visma, a MaisMei, que não teve o valor de negociação divulgada, ambas no início de 2026.

Para os próximos meses, a perspectiva é de crescimento menos dependente de oscilações macroeconômicas de curto prazo, sustentado por melhores níveis de governança e estratégias de longo prazo. Em vez de expansão baseada apenas em liquidez abundante, o novo ciclo parece guiado por consolidação estratégica, eficiência operacional e ganhos de escala.


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