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O homem que copiava

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O homem que copiava

Uma velha parábola conta sobre um homem que criticava as técnicas do vizinho até ver seu próprio quintal murchar e o do “Estado Desenvolvimentista” prosperar, decidindo então copiar seus métodos. Essa história ilustra o movimento atual do mercado americano, em sintonia com o governo que, após décadas defendendo o livre mercado e criticando o modelo chinês, agora busca fatia de capital estatal em semicondutores e inteligência artificial, como na proposta da OpenAI de ceder ações ao governo. 

Parece se tratar de um reconhecimento pragmático de que o século XXI exige o Estado como arquiteto e sócio de longo prazo.

A grama do vizinho é mais verde… e mais produtiva

Observando bem, o modelo chinês de capitalismo de Estado provou ser altamente resiliente e acelerado na corrida tecnológica. Diante disso, a reação americana não parece ser um abandono do capitalismo, mas uma estratégia de sobrevivência, evidenciando que o “Estado mínimo” é um luxo insustentável quando o concorrente joga com o “Estado máximo”. 

Financiar “campeões nacionais” tornou-se uma necessidade prática para os EUA enfrentarem a competição sistêmica, mesmo que precisem engolir o próprio orgulho.

Essa intervenção não é inédita, pois os EUA já utilizaram o peso estatal no Projeto Manhattan e na corrida espacial, embora na época chamassem isso de “excepcionalismo americano”. A ironia atual reside no fato de que, ao replicarem os métodos disciplinados da China que antes rotulavam como ameaça, os americanos validam a tese que passaram décadas combatendo: a de que o Estado, quando bem utilizado, é o melhor parceiro para um setor estratégico.

No fim, caso a ideia avance, os EUA demonstraram a humildade de aprender com quem colhe melhor, entendendo que jardins estratégicos se mantêm com ações concretas e não com orgulho ideológico. Contudo, o grande perigo desse pragmatismo tardio é o descompasso temporal: enquanto os americanos se esforçam para copiar o modelo atual, os chineses já estão desenhando o próximo. 

Copiar é humano, mas a verdadeira estratégia está em inovar antes que o outro perceba que está seguindo uma página que já foi virada.

E você Brasil, quo vadis?

O post O homem que copiava aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Ricardo Azevedo



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