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O preço do Conselho: Barroso, Huck e a IA de Thiel

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O preço do Conselho: Barroso, Huck e a IA de Thiel

Na era da polarização extrema, o pragmatismo de mercado frequentemente atropela o alinhamento ético. O ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso e Luciano Huck integram o conselho da Enter, startup de IA jurídica investida pelo Founders Fund, de Peter Thiel — bilionário associado à extrema direita global. O movimento acende um debate sobre a postura de figuras públicas em tempos hiperpolíticos.

Por que aceitar o convite? Primeiro, provavelmente pelo fetiche do pioneirismo tecnológico. Fazer parte do primeiro unicórnio de inteligência artificial jurídica do Brasil confere um selo imediato de modernidade e influência futura.

Segundo, imagina-se que ainda impera a ilusão da neutralidade técnica. Enxerga-se o algoritmo como ferramenta neutra, esquecendo que códigos e o capital que os financia carregam, sim, vieses e visões de mundo de seus criadores.

Por fim, pesa o magnetismo das redes de influência. O prestígio opera em via de mão dupla: a empresa ganha validação institucional de peso e os conselheiros garantem conexões diretas com o topo do Vale do Silício.

Mas, se a sabedoria popular prega “diga-me com quem andas”, os novos negócios sugerem “diga-me quem te financia”. Afinal, o capital pode fingir não ter ideologia, mas quem valida suas mesas acaba, certamente, por legitimar sua direção.

Ao fim, por vezes os Conselheiros dizem muito sobre a empresa. Nesse caso, fica a dúvida se não é a empresa que diz algo sobre seus conselheiros. Esse será o preço para integrá-lo.

O post O preço do Conselho: Barroso, Huck e a IA de Thiel aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Ricardo Azevedo



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