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Avanço da inteligência artificial transforma o papel da liderança nas empresas

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Avanço da inteligência artificial transforma o papel da liderança nas empresas

A rápida expansão da inteligência artificial nas organizações está redefinindo o perfil exigido dos cargos de liderança no ambiente de negócios. À medida que a tecnologia assume atribuições operacionais, como análise de dados, geração de conteúdo e suporte à tomada de decisões, a posse exclusiva do conhecimento técnico deixa de ser a principal fonte de autoridade nas empresas, segundo levantamentos de institutos globais e especialistas do setor.

De acordo com o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das competências essenciais dos trabalhadores deverão mudar até 2030. Embora a inteligência artificial e a análise de grandes volumes de dados (big data) estejam entre as habilidades em ascensão, competências humanas — como pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, liderança e influência social — figuram entre as mais demandadas para os próximos anos.

Pesquisas do IBM Institute for Business Value indicam disparidades entre a percepção dos executivos e a realidade das equipes. Um levantamento do instituto apontou que apenas 25% dos trabalhadores utilizam IA de forma regular, embora 86% dos CEOs pesquisados acreditem que seus colaboradores estão preparados para operar com a tecnologia. Além disso, 85% dos CEOs afirmam que os gestores de todas as áreas precisarão se tornar especialistas em tecnologia dentro de seus domínios, e 74% dos executivos preveem que a IA redefinirá os papéis de liderança até 2030.

Nesse cenário de transição, a autoridade do líder passa a depender mais de habilidades analíticas e comportamentais do que do acúmulo de respostas prontas. “Durante muito tempo, o conhecimento foi uma das principais fontes de autoridade dentro das empresas. O problema é que hoje o conhecimento está disponível em segundos e para todos. Portanto, agora a vantagem do líder passa a estar menos em ter respostas e mais em saber quais perguntas fazer, quais decisões tomar e quais consequências está disposto a assumir”, avalia Bruno Padredi, CEO da B2B Match.

A migração de atribuições técnicas para ferramentas automatizadas também altera a dinâmica de influência nas equipes. Segundo Reynaldo Gama, CEO da Ânima Empresas, a legitimidade das posições de comando passa por transformações. “A autoridade vem do cargo, mas a influência vem da confiança. E quanto mais a inteligência artificial democratiza o acesso ao conhecimento, menos o cargo consegue se sustentar sozinho. O líder que não conseguir gerar confiança, contexto e direção vai continuar tendo autoridade formal, mas terá cada vez menos influência real”, afirma o executivo.

A condução do fator humano em momentos de mudança tecnológica desponta como outro desafio central para a gestão. Em estudo divulgado em maio de 2026, o IBM Institute for Business Value revelou que 83% dos CEOs entrevistados consideram que o sucesso da implementação da IA depende mais da adesão das pessoas do que da própria tecnologia. No mesmo levantamento, 59% dos executivos projetam aumento na influência das lideranças de Recursos Humanos, enquanto 77% acreditam na convergência entre as funções de gestão de tecnologia e de talentos.

A necessidade de equilibrar inovação técnica e gestão de pessoas exige novas abordagens na condução de equipes. “Estamos falando de uma transformação que não é apenas tecnológica. Cada vez mais o líder terá que administrar a velocidade da máquina sem desconsiderar o tempo das pessoas. Isso exige escuta, clareza, empatia e capacidade de construir segurança, mesmo em ambientes de incerteza”, analisa Glaucia Guarcello, CEO da HSM.

Diante desse panorama, o mercado projeta que a inteligência artificial continuará atuando na consolidação de relatórios, mapeamento de padrões e suporte a diagnósticos. A definição de prioridades, a avaliação de riscos, a resolução de conflitos e a condução estratégica de equipes, no entanto, permanecem como atribuições humanas indispensáveis para o ambiente corporativo nos próximos anos.

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